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“Nós Enterramos os Mortos” ( We Bury the Dead, 2025).

A suspeita não precisa ser confirmada. 

 

Muitas vezes assistimos a um filme mesmo sabendo que ele não é bom. Em algumas dessas ocasiões, somos surpreendidos. Na maioria, porém, apenas confirmamos a suspeita.

We Bury the Dead, filme independente estrelado por Daisy Ridley (a Rey de Star Wars: The Force Awakens), que também trabalha como produtora executiva do longa, tentando ampliar sua visibilidade no mundo cinematográfico.  traz a atriz no papel principal. Ela se esforça e entrega uma boa interpretação, tentando dar peso emocional ao caos do roteiro,  por vezes, consegue. Mas é só isso.

A primeira metade é tão genérica que chega a parecer um filme montado por algoritmo: tudo soa reciclado, sem identidade, sem atmosfera própria. É o tipo de terror pós-apocalíptico que você já viu dezenas de vezes,  só que com ainda menos personalidade.

No segundo ato, o longa simplesmente muda de direção e nos joga em uma situação desconexa, quase como se outro roteiro tivesse sido colado por cima do primeiro. Falta construção, falta transição e sobra estranhamento, no pior sentido possível (desagrada até o mais otimista dos espectadores).

O terceiro ato até encontra algum propósito e tenta amarrar as ideias, mas termina exatamente como começou: sem personalidade.

Funciona apenas em momentos isolados e, no conjunto, é completamente esquecível. Ridley segura o que pode, mas o filme nunca encontra um caminho próprio. Seu “segundo plano” (segunda leitura da obra) é tão manjado que talvez funcionasse melhor como curta-metragem.

No fim, se você está com tempo, confirme a suspeita; se não, esqueça e parta para o próximo. O filme é um terror que passa como o velório de um desconhecido: acontece, cumpre seu protocolo e desaparece sem deixar marca. Afinal, como o próprio título sugere em tradução livre, ele apenas enterra seus mortos… e segue adiante.

  


(5,8) **1/2
 
Publicado no dia 16 de fevereiro de 2026.

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