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Extermínio:Templo do Ossos ( 28 years later: The Bone Temple, 2026).

O bom cinema não tem limites.

Com Templo dos Ossos, a série Extermínio não apenas retorna,  ela avança, expandindo seus limites estéticos e narrativos de forma ousada, como já havia feito em seu antecessor. Em um gênero frequentemente refém de fórmulas repetidas e choques fáceis, o novo filme se destaca como uma obra brilhante e verdadeiramente transgressora, que compreende o horror não apenas como susto, mas como experiência sensorial, política e emocional (assim como os clássicos).

Desde os primeiros minutos, fica claro que o filme não está interessado em conforto. A direção aposta em uma linguagem crua, por vezes quase experimental, que dialoga com o espírito do primeiro Extermínio sem se limitar à reverência. A câmera inquieta, a montagem agressiva e o desenho de som opressivo constroem um mundo em constante estado de colapso, onde a ameaça não vem apenas dos infectados, mas da própria ideia de convivência e sobrevivência.

O roteiro é inteligente e confiante, apoiando-se em uma estética brutal e visceral, ao mesmo tempo em que acrescenta personagens marcantes a esse universo caótico e separatista. Atuações memoráveis Ralph Fiennes e Jack O'Connell.    Templo dos Ossos evidencia que o verdadeiro horror nasce da espera, da perda e da insegurança, impactante visualmente e devastador psicologicamente.

É impossível não destacar a sequência épica do encontro, um dos momentos mais arrebatadores do cinema de gênero recente (quem sabe,  da história). Sem entrar em spoilers, trata-se de uma cena que sintetiza tudo o que o filme representa: fúria, desespero, catarse e beleza brutal. O uso da música não é gratuito nem estilizado por vaidade; ela surge como um grito primal, quase anárquico, transformando a sequência em um verdadeiro ritual de sobrevivência. Um momento de pura eletricidade e conexão cinematográfica, daqueles que fazem o espectador prender a respiração e lembrar por que o cinema ainda é maravilhoso.

Outro grande mérito do filme está em sua recusa em glorificar a violência. Quando ela acontece, é feia, caótica e carregada de consequências. Não há heroísmo fácil ,  apenas escolhas ruins feitas em situações impossíveis, lembra muito o brilhante Funny Games 1997 (Michael Haneke). Esse realismo cruel aproxima Templo dos Ossos muito mais do drama humano do que do espetáculo vazio, onde chega a escorregue sangue pela tela. 

Extermínio: Templo dos Ossos reafirma a relevância da série ao provar que ainda há espaço para inovação dentro do gênero. É um filme que respeita sua herança, mas não vive dela. Brutal, intenso e artisticamente ambicioso, consolida-se como um dos capítulos mais fortes da franquia. É uma aula de como o horror não tem limites e pode ser, ao mesmo tempo, entretenimento e provocador.

8,5 ****

Curitiba. 20 de Janeiro de 2026.

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